O Lugar da Espera na Vida Cristã

O que Deus faz em nós enquanto esperamos?

Foto da Editora 371.

Era um vez um texto ‘O Tempo doloroso da Espera’ - Parte 1, que cresceu e virou uma Parte 2, e continuou crescendo até virar um livro. Eu comecei a escrever sobre isso em 2016 e, ao longo desses três anos, escrever foi um instrumento especial não apenas para compreender o que é a espera, mas também para conseguir viver o tempo presente enquanto eu espero.

Assim, esse livro não é o resultado de um estudo impessoal sobre um tema interessante. Esse livro é o derramar de um coração que vive a espera e que tem aprendido ao longo do caminho a confiar em Deus enquanto espera.

Por isso, ele agora se torna também um testemunho de que a espera pode ser um processo bem ativo e pode gerar frutos enquanto esperamos. Segundo Guilherme de Carvalho:

É a Esperança que nos habilita a caminhar sem nos desviar rumo à vontade de Deus! Mas é preciso saber esperar; e esperar exige paciência. A paciência é como um João Batista da Esperança.

Cobrindo uma importante lacuna da literatura sobre espiritualidade Cristã, Vanessa Belmonte nos brinda com uma excelente exposição da virtude da paciência. O que Deus faz em nós enquanto esperamos? O que o tempo significa para o Cristão e como Deus o emprega para trabalhar em nossas almas? Como enfrentar o doloroso tempo da espera?

O “tempo” é um dos temas-chave da obra. Vanessa mostra a relação dinâmica entre a espiritualidade e a aceitação paciente do tempo divino, como uma espécie de sincronização entre a alma e a realidade. A reconciliação com o tempo é necessária para a vida espiritual. É necessária para a purificação e redenção de nossos desejos, planos e expectativas. O tempo divino e a paciência que aprende a respeitá-lo criam o espaço de existência dentro do qual Deus trabalha em nós. Nesse “espaço” aprendemos a desejar corretamente; e encontramos, mais do que as coisas que imaginávamos esperar, o próprio Deus.

Por isso a presença da paciência sinaliza um coração grato e obediente a Deus e vinculado corretamente ao lugar no qual ele vem nos encontrar todos os dias: o momento presente.

A conexão entre tempo e espiritualidade tem uma aplicação urgente e imediata à vida moderna, dado que as experiências do consumo globalizado e da aceleração dos processos de comunicação e informação “encurtaram” o sentido do tempo e do espaço, tornando os indivíduos menos afeitos à espera e ao compartilhamento de ritmos de vida comunitários. “Tudo ao mesmo tempo, agora!” torna a vida espiritual mais difícil.

Nessas condições, apreender a vida espiritual como uma vida com o Eterno no tempo, que incorpora e transforma o tempo, é absolutamente fundamental. E dar atenção ao desenvolvimento das virtudes no tempo nos ajuda a fazer isso de forma prática. Explicando como a caminhada Cristã é intrinsecamente temporal e tem um ritmo próprio, divinamente estabelecido, a obra aplica o remédio diretamente sobre essa ferida na alma do homem contemporâneo.

Precisamos aprender a esperar, especialmente hoje, neste mundo tão impaciente e ansioso, que nos pressiona de vários modos para termos cada vez mais o controle de tudo. Há muita tensão e ruído ao nosso redor. Assim, como cansaço, frustração, ansiedade e medo. Por isso, a virtude da Esperança se torna extremamente necessária para nossa sobrevivência.

De acordo com Ricardo Barbosa:

A jornada da fé é o longo caminho onde aprendemos a confiar menos em nós e mais em Deus. Neste caminho aprendemos que a fé em Cristo envolve, dentre outras coisas, a perseverança, a necessidade de permanecer fundamentados em sua palavra, sustentados por suas promessas, mantendo os olhos sempre voltados para Jesus, o princípio e o fim da fé.

Começamos a jornada da fé confiando mais em nós e menos em Deus. O longo caminho que percorremos da autoconfiança para a confiança em Deus nunca foi simples nem fácil. Um dos perigos que enfrentamos neste longo caminho é que somos uma geração que tem pressa. Não fomos treinados na virtude da paciência, nem na disciplina da espera. A tecnologia encurtou as distâncias e eliminou o tempo de espera. A eficiência da tecnologia está na rapidez com que as informações e os serviços são oferecidos. Vivemos sob a tirania da pressa.

O problema que os discípulos de Cristo enfrentam é que a pressa não forja uma fé madura, mas sim cristãos ansiosos, manipuladores e inseguros. O processo que nos leva a confiar menos em nós e mais em Deus é lento e nele aprendemos que Deus não está preso à pressa neurótica da nossa cultura. A espera sempre foi um princípio para a experiência de oração do povo de Deus.

Neste livro, Vanessa nos leva a refletir sobre a o significado da espera na experiência cristã. Ela nos ajuda a perceber que a espera é uma arte que nos ajuda a penetrar nos mistérios dos caminhos melhores e maiores de Deus. Não se trata apenas de tempo cronológico, mas de kairós, este tempo divino que é medido, não pelas horas, minutos, dias, semanas ou meses, mas o tempo da revelação de Deus. O tempo em que compreendemos que fazemos parte de uma grande narrativa divina, uma história que transcende a nossa história.

Foto de Quenani Leal.

Assim, convido você para essa leitura e conversa. O livro foi estruturado em seções curtas e ao final de cada uma há o tópico “Enquanto espero…”, criado para ajudar na reflexão e aplicação dos temas tratados para a sua realidade.

A primeira edição foi publicada em 2019 pela Editora 371. A nova edição foi publicada em 2021 pela Editora Thomas Nelson Brasil e você pode adquirir aqui.

Eu espero que este livro chegue até você, eu espero que ele te ajude a preparar a terra do seu coração para receber as sementes da Esperança, eu espero que elas cresçam no tempo certo, trazendo alegria, gratidão e coragem para viver cada dia com mais sentido, enquanto você espera.

Eu espero que você consiga confiar mais em Deus e que Ele fortaleça sua fé nessa jornada, para que quando suas promessas e propósitos se cumprirem, Ele se alegre com isso, você se alegre com isso, e a nossa alegria seja completa!

Vídeo da palestra de lançamento no L’Abri Brasil

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Espiritualidade. Cristianismo. Hospitalidade.

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